“Amigos vão... amigos vem...” Dizem que essa é a lei da vida. Cada pessoa tem o seu momento, a sua maneira de viver e nem sempre o tempo dela condiz com o seu tempo. Nem sempre a maneira como ela quer viver é o que você planeja pra você. Sabe como é né... o ser humano é um bicho muito complicado. Lidar com ele talvez seja uma das tarefas mais complexas que eu conheço.
E aí, quando você se dá conta, seu amigo
do peito, aquele com quem você planejava as mais fantásticas viagens, os
melhores shows, as férias de verão mais animadas... vai embora. Ele
simplesmente vai. Às vezes essa ida é antecipada, seja por um
desentendimento que gera mágoa, seja por uma mudança brusca de cidade.
Mas na maioria das vezes, ela é tão lenta que nem percebemos. Eles
simplesmente mudam seu jeito de ser, suas atitudes, suas escolhas. E
aí, vocês passam a se ver cada vez menos, a intimidade já não é mais a
mesma, os encontros já não são tão animados como eram antes. E aí os
meses correm, os anos passam e quando você encontra essa pessoa na rua,
assim, sem querer, ela nada mais é do que um simples conhecido. Sim, o
seu amigo do peito, seu confidente, companheiro, não passa de um
estranho aos seus olhos. E você se dá conta que não foi só a barba dele
que cresceu, ou os quilinhos a mais que ele ganhou. Você percebe que ele
está sentado na mesa ao lado da sua com os seus novos amigos do peito,
você percebe que você não está nas fotos do novo álbum dele no facebook e
que ele nem sabe que você trocou o número do seu celular, até porque,
mesmo que ele soubesse, não faria diferença. E a marca da distância fica
evidente na frieza dos “oi, tudo bom?” por simples educação. E você
finalmente cai em si e vê que vocês não se falam mais, não se ligam, nem
se interessam mais um pela vida do outro. E isso dói. Dói, porque você
percebe que perdeu seu grande amigo e por mais que você queira virar pra
ele e falar a puta falta que ele faz ao seu lado, você simplesmente
retribui com um “oi, tudo bom e vc?”. Porque você tem medo daquela
aproximação súbita, medo de uma suposta rejeição, medo de um mal estar
constrangedor.
Mas talvez um dia vocês
voltem a se encontrar pelas festas da vida e quem sabe, bêbados (sim,
bêbados, porque quando você está bêbado, você vira um homem de coragem),
troquem abraços, carinhos e desculpas. Talvez ele diga que sente a sua
falta e você diga que nunca queria ter se afastado dele. E talvez vocês
desfrutem juntos aquela noite e façam dela exatamente igual as antigas
noites que vocês passavam juntos, rindo, bebendo e se divertindo. Mas,
por certo, isso não trás de volta todo o tempo que passou. E no dia
seguinte, você vai acordar com uma puta ressaca, sem saber como teve
coragem de fazer tudo aquilo. E vai achar que ele nem se lembra de tudo o
que aconteceu. E talvez você resolva deixar um recado para ele numa das
infinitas redes sociais (sim, porque pelas redes sociais vocês não
amigos, claro). E você vai perceber que não tem foto sua no álbum novo
dele, muito menos no álbum daqueles que fazem a vida dele feliz, os dos
quais ele nunca vai esquecer. Não, não... a sua foto continua naquele
último álbum, aquele que nem mais é atualizado, aquele álbum que você
nem sabe se existe porque os momentos vividos realmente merecem ser
lembrados ou porque a pessoa esqueceu de apagá-lo. E você desiste do
recado, desiste de procurar a pessoa, desiste da amizade de vocês. Que
burro que você é, afinal. As pessoas mudam e ninguém é obrigado a sentir
a mesma coisa que você sente. Ninguém é obrigado a sentir falta de
você, da sua amizade, da sua companhia. E porque você percebe que assim
como aquele álbum, você não passa disso, de uma lembrança boa que deixou
sua marca, mas que infelizmente, ficou pra trás.
E bola pra frente, vida que segue. Até que outra festa surja, pelo menos.
"Meus bons amigos, onde estão? Notícias de todos quero saber. Cada um fez sua vida de forma diferente..."

