Quero escrever tantas coisas, contar tantas histórias, dividir tantos sentimentos... mas ando meio sem tempo.
Aliás, tempo eu sempre tenho - meu dia continua tendo 24 horas, mas ao
invés de pensar durante essas 24 horas, tenho procurado vivê-las.
Estou olhando pela janela nesse exato momento e vocês não imaginam como é
bom olhar os raios de sol, o céu azul e o verde ao redor de mim. Cansei
de olhar para os prédios e para o céu cinza. Fugi de tudo isso e agora
estou no meu porto seguro. Gosto de sentar na janela, deixar o sol bater
no meu rosto e respirar essa vida que sempre fica aqui, me esperando.
Que paz!
Estou atrasada. Vou fazer muitas coisas inúteis hoje, vou voltar a ser
criança e esquecer os problemas que carrego comigo, hoje eu vou ser
feliz.
Mas eu volto.
E enquanto não sei o que dizer, deixo que as palavras de Marla de Queiroz, sempre tão sagaz, nos façam refletir.
"A felicidade nem se perde. Ela está à disposição de qualquer um que
queira vibrar neste estado. A gente é que se afasta dela. Se a gente se
apega ao sofrimento, às sobras, às incompletudes e às reclamações, como é
possível simplesmente estar feliz e agradecer? Acho que ser feliz dá
muito trabalho porque você tem que se desvencilhar da tristeza. E o
abandono produz ótimas reflexões, o relacionamento falido produz mais
metáforas, a falta de algo importante dá uma sensação de que injusta é a
vida e que você é só vítima de um destino que não está te ajudando a
ser feliz. Mas quando tudo lhe é dado assim, como um mar que se oferece
pro seu mergulho, ou uma chuva que poderia fertilizar tua alma, se é o
sol que faz falta, ou a sombra que te acolherá, que sentido tem a
felicidade se oferecer pra mudar o teu rumo, teu humor, teus assuntos? A
felicidade deixa a gente sem assunto. A felicidade é muito mais
interessante quando ela é difícil de obter [...] A felicidade talvez
seja só uma escolha... e isso nos compromete demais".

